jump to navigation

RPG por caridade 03/17/2009

Posted by Ágatha Guedes in Opinião e Bate Papo.
Tags: , ,
trackback

Hoje estive lendo um post do Tiago Lobo (será o Lobo do Fórum Daemon?) no .20 que falava sobre o RPGista e o fato deles estarem prejudicando o RPG.

Eu concordei com o título mas não com o texto. Realmente, na minha cabeça, os RPGistas mais atrapalham do que ajudam o RPG. Mas não é por isso que devemos agir contra a natureza das coisas.

Não acho que os RPGistas atrapalham em não comprar livros ou produtos que não concordam, ou em não doarem seus livros e produtos há muito não usados. RPGistas atrapalham em ignorar novatos, tratá-los como se fossem uma praga, em fechar a cara pra todo e qualquer produto nacional (não estou dizendo para comprarem só por ser nacional, mas por dedicar alguns minutos para saber ao menos do que se trata o produto), em criticar a torto e a direito e não estar disposto a dar o braço a torcer quando as coisas mudarem de figura, em usarem e abusarem do anonimato da Internet para destruirem e divulgarem informações tendenciosas sobre esse ou aquele produto. Isso pra mim é atitude imatura e que deve ser diminuída, se não dizimada.

Resolvi citar uns exemplos de coisas que acontecem no mundo do RPG mas por outro ponto de vista, fora do mundo do RPG. Vocês perceberão como as coisas chegam ao ponto do absurdo quando vistos por outros olhos.

Pagarmos o IPTU e trabalhar para ajudar a asfaltar a rua.

É engraçado como no mundo do RPG, alguns autores têm a tendência a afirmar que a culpa do atual cenário é do jogador. Não dele que não cria nada, não dele que só publica o que os jogadores afirmam não quererem jogar, mas da gente, consumidores de um produto muitas vezes falido.

Seria engraçado e trágico vermos a cena de moradores de um bairro, pagando seu IPTU em dia, tendo que trabalhar nas obras das ruas em troco de nada, apenas de um sorriso amarelo e uma promessa de que no futuro, mais obras (ou publicações, dependendo do caso) virão.

Ver defensores de um time lutando para transformarem os outros em monstros.

Isso já acontece e nem é tão surpreendente assim. Jogadores de um time fazem de tudo para mostrarem aos outros como eles estão errados e como são aberrações por torcerem por aquele time. O que surpreende realmente é ver os jogadores de RPG, tão cultos, tão cheios de “QI”, tão cheios de ego, gritarem aos quatro cantos que tal editora só destrói os produtos e que ela não tem direito de segurar tal licença, mas essas mesmas pessoas costumam tratar os “novatos” com desrespeito em sites e comunidades de uma outra editora, essa querida por todos e sem chances de erro.

É comum apontarmos os erros e esconder-nos sob uma cortina enquanto somos consumido por nossos próprios erros.

Ver fãs de Futebol fazendo questão de divulgar o esporte só para ter mais jogadores no futuro

Isso é incomum. Pessoas que apreciam futebol não tem o costume de ficar “panfletando” em prol do esporte. Eles só jogam. Quem faz o papel de divulgar e criar o grande circo que o jogo é hoje em dia é a mídia. A mídia e os interessados em vendes seus produtos.

Esses são alguns exemplos do que eu vejo sendo divulgado como obrigatório para cada jogador de RPG. RPG deixa de se tornar um hobby e passa a ser um meio de sobrevivência, nos transformando em “membros de Pirâmides”, transformando toda e qualquer pessoa com o mínimo de inteligência em potenciais jogadores.

Não é errado querer divulgar e ajudar o seu hobby, não mesmo. Mas ditar regras e afirmar que uma ou outra coisa só está assim por culpa dos jogadores é atribuir-nos uma culpa da qual não temos. É nos tornar vítimas de uma situação que começa errada desde o topo. É tornar o RPG um modo de vida e não um produto. RPG, acima de tudo, é um jogo, um hobby e como tal tem fins lucrativos.

RPG não vai acabar e o mercado só vai acabar se cair no ostracismo. Se continuar tratando seus jogadores como mendigos em busca de qualquer migalha.

O Brasil é recordista em “Aceitação” das coisas. Nós aceitamos tudo, desde mudanças de atores no meio de séries, dubladores alternados entre episódios e outros, livros escritos de qualquer jeito e repleto de erros, reedições de livros SEM nenhuma alteração mas com um aviso grande “Todos os erros corrigidos” e coisas do tipo.

Aceitar que a culpa é nossa é só admitir uma culpa que não nos compete. No dia em que o RPG se tornar um fardo que eu tiver que carregar, eu mudarei de Hobby e passarei a jogar peteca, boliche, ou qualquer outra coisa que me ofereça respeito como consumidora.

Já sabem, né? Semana que vem todo mundo trazendo o vizinho pra conhecer o time.

Já sabem, né? Semana que vem todo mundo trazendo o vizinho pra conhecer o time.

Anúncios

Comentários»

1. valberto - 03/17/2009

De boa eu concordo com parte do que vc disse, mas discordo de uma parte. Eu não me considero culpado pela situação no mercado atualmente, mas faço um esforço pessoal para trazer novos jogadores para a “irmandade”. Não espero que ninguém siga o meu exemplo, mas não vou bater em ninguém que o faça. Quando eu convido alguém para jogar rpg é pura gratidão ao jogo que me proporcionou e ainda proporciona tanta diversão e para as pessoas que eu acho que mrecem um pouco dessa diversão – se forem capazes de aproveita-la.

2. Nordestinus - 03/17/2009

Ágatha, só discordo de duas coisas que você disse. Não é incomum que torcedores façam esforço para levar gente aos estádios, para gerar renda aos seus times, para que os times possam melhorar. E não falo só de futebol, mas da grande maioria dos esportes.

E outra é exatamente o que o Valberto falou. Eu também faço isso e mais, dou os parabéns a quem também faz. Por que não é uma editora que traz um jogador novato para o hobby, somos nós, que já jogamos e conhecemos.
Do mesmo jeito, não é um time de futebol que leva um torcedor novo ao estádio. Ele vai por que um outro torcedor o incentivou a ir.

Minha filha de 4 anos assisti todos os jogos do meu time comigo, pela TV. Será que alguém acha que, se ela um dia for ao estádio, foi por causa do meu time? Não.

3. Frederick Vaz - 03/17/2009

Nordestinus realmente somos nós.

Mas poderiam ser as editoras, alias, deveriam ser as editoras. Afinal quem ganha são eles.

Nós como jogadores podemos querer divulgar nosso hobby, e aqueles que se dispõem a fazê-lo merecem aplausos.

Já ralei muito tentando divulgar o RPG e vou ralar mais ainda se for da vontade de Corellon. Mas uma empresa que ganha dinheiro com RPG ter a cara de pau de reclamar do público porque não compra seus produtos é demais.

Se eles acham que o produto não vale a pena que não o produzam uai.

4. Nordestinus - 03/17/2009

Claro. As editoras deveriam ter um papel mais influente, mas eu acho que o problema é a falta de popularidade do jogo.

E confesso que não gosto da atitude de algumas editoras [como disse a Ágatha, no post do .20] que fazem um novo livro com duas ou três páginas de atualização, duas de agradecimentos e vendem para os fãs. Acho isso o cúmulo da falta de criatividade da editora e o cúmulo da cara de pau dos fãs.

5. Tiago Lobo - 03/17/2009

Olá Ághata, não sou o Lobo do fórum da Daemon. Nunca participei desse fórum.

Talvez você tenha interpretado errado o que eu exponho no artigo que você cita. Enfim, sua opinião é interessante e é isso que eu me proponho quando publico alguma coisa.

Inclusive essa sua frase merece destaque: “RPG não vai acabar e o mercado só vai acabar se cair no ostracismo. Se continuar tratando seus jogadores como mendigos em busca de qualquer migalha.”

Abraço.

6. Agatha Guedes - 03/17/2009

Valberto: Eu também faço esse esforço, também gosto de trazer novos jogadores, mas não gosto quando me vejo sendo culpada por fazer isso pouco ou pela situação que encontra-se o RPG hoje em dia.

Nordestinus: Realmente, acabei me enrolando nesse caso. Concordo que alguns jogadores façam isso por esse objetivo, mas quando o time está decaindo eles sabem que a culpa não é deles. Não aceitam que os dirigentes digam que eles são os culpados. Mas concordo que o pensamento está certo. Obrigada.

Frederick: É exatamente o que estou falando. Não acho errado que nós façamos essa parte, que não é nossa mas que nos sentimos bem em fazer. Mas é certo que isso é obrigação das editoras. Elas é que saem ganhando com isso.

Não tem a ver com isso, mas meu esposo me mostrou um post do Valberto que falava justamente da falta de inovação do mercado de divulgação das editoras DENTRO dos eventos de RPG. Elas não se esforçam, elas parecem menos interessadas do que nós. E é como o Nordestinus falou no segundo post, é cara de pau criar um produto ruim e querer obrigar os jogadores a comprare por pena.

Lobo: Obrigado pela resposta, achei mesmo que fosse você.
Na verdade eu não interpretei errado, eu é que não soube me explicar. Quando eu disse que concordei com o título mas não com o texto, quis dizer que o título me remeteu a esse assunto que abordei, mas o texto tomava um rumo diferente. Mas é ótimo saber que mais gente no mundo dos Blogs de RPG estão dispostas a discutir e ouvir a opinião alheia. Origada por ter se dado o trabalho de ter vindo aqui comentar a respeito.

7. valberto - 03/17/2009

Acho que temos algumas coisas bem em comum: não gostamos de como as editoras lidam com o assunto e gostaríamos de ver algo diferente. A pergunta é: oque podemos fazer?

8. GG - Administrador Escravo - 03/18/2009

Infelizmente, o fato é que o mercado é oferta e procura.
Tendo pouca procura, então, temos pouca demanda.
O problema é que, mesmo com grande demanda, a oferta não é razoável.
Vejamos, por exemplo, o “boom d20”, quando várias editoras lançaram livros compatíveis com d20: enquanto uns poucos tinham qualidade boa, a grande maioria tinha qualidade, ou fraca, ou vergonhosa.

Eu vejo que a grande culpa é das editoras, que não agem com profissionalismo, não analisam mercado e investem errado.
Já quanto aos RPGistas, acho que nossa grande culpa é se dividir em “tribos xiitas”: amantes de GURPS, de Vampiro, de 3d&T…
quem gosta de um, repudia os outros
Ora! Nós já somos um grupo tão pequeno e ainda nos dividimos!

9. Devir e a Sua Filosofia do Cavalo! « Falha Crítica - 03/18/2009
10. Ágatha Guedes - 03/18/2009

Valberto, podemos fazer o mesmo que qualquer cliente insatisfeito pode fazer. Acontece é que quando fazemos, uma voz ecoa na nossa mente gritando “Você está colaborando com o fracasso do RPG” e tudo mais. Ou então lançamos uma editora no mercado que trate o RPGista com respeito…o que é no mínimo impossível.

e GG, concordo quanto ao fato de nos dividirmos. Sempre fui contra essa coisa de grupos separados.

11. Tek - 03/18/2009

Sempre vai existir divisão, é inerente do ser humano e da sociedade, funciona mais ou menos como etiquetas. Você sempre vai ser classificado de acordo com o que é, faz e etc.
Fazendo analogia com a música: no “metal” existe o heavy, o death, o thrash (sim, escreve com th), o new/nü, o power, o speed, o doom e etc. Alguns são mais conceituais que outros (p.ex.: pra mim o thrash parecia bastante com o death quando eu era mais novo), mas todo mundo classificava o som que ouvia ou que não curtia.

12. Ragnarockk - 03/19/2009

Como já disse em outros blogs, que culpa temos nós RPGistas se nosso hobby não é popular? é culpa nossa se as pessoas não jogam rpg por preguiça de escrever, ler, somar, subtrair, interpretar? RPG é um hobby mais “intelectual” do que futebol no fim de semana, e não podemos esperar que o nosso povo (que não recebe uma educação das melhores, não por culpa sua, obviamente) prefira o primeiro ao segundo. Mas é claro que nada disso vai fazer o RPG desaparecer!

13. BURP - 03/20/2009

Sei lá, não tenho tanto o que falar, só acho complicado esses comentários de “busco novos jogadores por gratidão ao jogo” e tudo mais… Claro que não é errado um jogador de RPG querer divulgar o hobby que pratica e ama, mas falando dessa forma parece que a primeira preocupação é com a expansão da “seita”, e não em simplesmente oferecer uma forma de entretenimento saudável e divertida às outras pessoas. Quando chamo gente nova pra jogar, faço porque acho o RPG um jogo divertido e interessante, e que essas pessoas que eu estou convidando realmente vão aproveitar e gostar do tempo gasto jogando. Não tem nada a ver com o hobby precisar de novos jogadores, aumentar o mercado, ajudar as pessoas a atingir a iluminação e melhor entenderem a razão da existência, ou qualquer outra coisa do tipo…

14. Nordestinus - 03/20/2009

Burp, comigo não é diferente. Mostro o jogo para gente nova por gostar do jogo. Consequentemente eu quero que mais gente também goste do que eu gosto, para que meu círculo social seja maior.
Tenho muitos amigos que não jogam, mas quando estou numa roda de amigos que também jogam, a conversa é bem mais alegre, pois falamos de todos tipo de assunto, de futebol à RPG.

Tem o lado social e isso é bom. Gosto de trazer iniciantes para o hobby, não por obrigação, mas por opção.

Você falou “simplesmente oferecer uma forma de entretenimento saudável e divertida às outras pessoas.” Acho o exatamente o mesmo, só estamos pensando um pouco diferente na quantidade de pessoas.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: