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Inovar o RPG, é preciso? 06/03/2009

Posted by Ágatha Guedes in Opinião e Bate Papo.
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Estava eu encarando o trabalho árduo de revezar meu olhar entre o monitor vendo “The Sisterhood of the Traveling Pants” e a porta do escritório, para vigiar a entrada do meu chefe, perto de ganhar uma medalha de ouro no esporte “alt + Tab”, quando lá no cantinho da tela não parava de piscar uma janelinha impertinente, que eu ia ignorando numa boa, até que a voz da Alexis Bledel foi interrompida pelo barulho irritande do msn pedindo atenção. Tá bom, deixei o filme de lado e atendi meu querido esposo.

Fui informada de uma discussão dele pelo msn e fiquei pensando no que poderia ser tirado de toda essa discussão. Imaginei que vocês, queridos poucos leitores, também fossem querer entrar na discussão e tecer seus comentários a respeito.

A discussão se dava pela afirmação de um de seus contatos afirmar que o RPG como é tido hoje em dia já não é tão atraente e precisa, urgentemente, de uma inovação. Segundo um dos participantes da discussão, RPG só iria angariar novos fãs, se mudasse drasticamente a forma como é apresentado.
RPG é uma arte nova se comparada com tantas outras práticas do mesmo segmento. O costume de reunir-se ao redor de uma mesa e interpretar personagens criados pelos jogadores já conta com algumas poucas décadas em suas costas.

RPG, irmão caçula do War?

RPG foi criado na década de 70 e de lá pra cá veio passando por bons e maus momentos. Se comparado com jogos de tabuleiro e parceiros semelhantes, de idade muito mais avançada, podemos deduzir que RPG é um jogo “criança” ainda. Se avaliarmos suas práticas e inovações, percebemos o quanto ainda falta “crescer“.
Uma das alegações na discussão era de que o RPG precisava “evoluir” para atender mais pessoas, para alcançar outros tipos de jogadores. Na esperança de que ele possa voltar ao “auge” onde já esteve outrora.
Devemos ter em mente que a evolução citada não se trata de substituição ou de “evoluir” no sentido literal da palavra, talvez a palavra correta para tal fato fosse mesmo “crescer“, no sentido de se tornar mais maduro e mais direto.

Todo Digimon precisa de evolução?

Nesse caso devemos avaliar os bons frutos para sabermos onde vamos pisando. O fato de o RPG estar perdendo jogadores (no Brasil, pelo menos) se dá total e exclusivamente ao cenário precário e muitas vezes “desonesto” do hobbie no País. Afirmar que o RPG está definhando por ser uma prática ultrapassada não só é desvirtuar a imagem do RPG como também uma forma de justificar os argumentos erronêos (na minha opinião) citados.
Tudo na vida pode e há de precisar evoluir, mas o RPG, da forma como é jogada tradicionalmente não é uma delas. Claro que pode evoluir, como tudo na vida pode, mas não é uma necessidade primária.
Não consigo imaginar uma outra forma de jogar RPG sem ser em contato direto com os amigos (por isso abomino tanto os MMORPG e os chat RPG da vida) rodeados de livros e de diversão sem limite.
A forma de jogar RPG não precisa de uma evolução, não precisa de um estandarte para que seja dito “Agora sim estamos jogando RPG”. Esse tipo de discussão me lembra muito as discussões do tipo “Hack’n Slash não é RPG” ou “Vampiro é mais interpretação que D&D” e todas acabam não levando a lugar algum.

rpg1

Os dados serão substituídos?

Medieval clássico ou Medieval Fantástico?

Talvez, e apenas talvez, o que esteja acontecendo com alguns jogadores seja o rumo “natural” dos “roqueiros” de plantão, daqueles tipos que não podem mais escutar as mesmas bandas que ouviam quando começaram a gostar do ritmo, agora, mais evoluídos que são, eles precisam ouvir coisas obscuras, com nomes duvidosos e ritmos intrigantes. As bandas mais “comuns” e midiáticas não enchem mais seus olhos, agora eles querem uma coisa única, algo realmente exclusivo.
O que o RPG pode estar precisando é de algo realmente novo, algum cenário diferente e que nos dê o ar de novidade quando encontrado. Para aqueles que jogam e se divertem com os cenários atuais talvez isso não seja um problema, mas sempre há de haver um “Reinos de Ferro” para todo cenário atualmente.
Não quer dizer que os cenários atuais são chatos e entediantes, com seus clichês e “novidades” de sempre, a questão é que para algumas pessoas, principalmente aqueles que largaram o hobbie por falta de diversão, o que falta é uma nova pegada, uma nova visão sobre os mesmos cenários, para apresentá-los ao que já fora divertido outrora e hoje não passa de um conhecimento do passado. Ou talvez falte um pouco de  Old School que todo “veterano” deseja.

A questão é que RPG pode ser divertido dependendo da forma que você joga. Ninguém pode ditar uma fórmula que vá funcionar para todos os grupos. Alguns se divertem com vampiros, outros com cavaleiros e todos com mulheres machonas armadas até os dentes.

Inovar é preciso?

Inovar é preciso?

Como concluir?

Em resumo de tudo que foi dito, o RPG não é uma prática milenar e como tal ainda pode deleitar-se de seu ar de novidade para aqueles que conheceram o jogo há pouco tempo, enquanto para os mais antigos, talvez precise de um novo brilho para iluminar a diversão.
Os temas podem precisar de uma revisão, de uma onda de criatividade, mas nada que novas mentes abertas não possam dar um jeito (inclusive li um post no 42 que mostrava algumas dessas mentes abertas). Imagino que o RPG como está vai ser levado ainda por muito tempo e que só encontrará ferramentas para seu auxílio ao invés de inimigos contra sua prática. As ferramentas se agregam ao RPG, mas nenhuma delas conseguirá substituí-los, pelo menos não por um bom tempo.

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Comentários»

1. shingowatanabe - 06/03/2009

Renovação é necessário em todo hobby, o problema do RPG é que as empresas não sabem como conquistar novos consumidores, então vive brigando pela mesma base do jogadores, que tem a tendencia natural de diminuir.

A abordagem do hooby pelo mercado que o desconhece deve ser diferente. O papel das empresas de RPG é ensinar o mercado a usar o produto, como em toda teoria básica de Mkt ensina.

2. Nordestinus - 06/03/2009

Eu jogo MMO e também jogaria online, se tivessea oportunidade certa. Mas em hipótese alguma acho que essa seja uma evolução do RPG. São coisas diferentes. Talvez o RPG e o RPG online não sejam tão diferentes, mas o MMO é…
Acho que estamos precisando mesmo é de OPÇÔES e não de evolução.

3. rsemente - 06/03/2009

Acho que o RPG está evoluindo constantemente. Veja o D&D com seus powers, apesar de nem todos gostarem é uma nova forma para o RPG.
No novo WoD o sistema trouxe uma ovidade que poderá ajudar em todos os RPGs, o sistema de defeitos inovador (que também tem em M&M similar).
Acho que essas pequenas coisas são uma evolução do RPG, para o bem ou para o mal, mas evolução, um novo passo na ordem natural das coisas.

4. Nordestinus - 06/03/2009

Opa Rodrigo, dzem que para tudo existe uma primeira vez, né…

Dessa vez eu discordo de você. Não acho que isso seja evolução. Para mim são simplesmente sistemas diferentes. Tanto que, quando se evolui, todos querem melhorar, mas com os sistemas não é assim. Muitosnão vão migrar para a 4° edição de D&D, assim como alguns ainda jogam AD&D.
Funciona como os sistemas operacionais. O Vista não é a evolução do XP. É um sistema mais moderno, só isso…

5. LeyGun - 06/04/2009

Oi Ágatha,

Concordo em muito do que foi dito. Acredito que o RPG não precisa de “digievoluir”. Aqui no Brasil, o RPG só precisa se diversificar. E acho que muito dessa diversificação pode ser feita por nós. Um amigo meu trabalha em uma empresa de desenvolvimento de softwares muito renomada aqui no Rio de Janeiro. Ele está difundindo o RPG em seu ambiente de trabalho através de partidas de D&D Minis. Depois do expediente (para o desespero das esposas que acham que seus maridos estão fazendo ora extra/ou na visão feminina: com outra mulher [desculpe Gatha, num deu pra resistir), eles armavam um mesão colocavam os mapas, escolhiam suas minis e jogavam! Aos poucos eles estão adentrando no universo do D&D.

Outro exemplo de uma inovação/evolução no RPG aconteceu quando eu ia jogar uma aventura de GURPS medieval fantástico. O narrador tinha a missão de fazer uma campanha simplesmente “fodastica”, já que os jogadores eram em sua maioria ditos experientes (jogavam desde D&D 1 em inglês). A inovação/evolução da aventura? O som. O Narrador levou um cd player e as cenas chaves do jogo tinham fundo musical próprio, além disso, os PDMs mais influentes também tinham temas musicais próprios. Isso em 1998. Hoje, na hera do mp3 ouvir falar que música é uma inovação/evolução pode parecer exagerado. Mais acredite, um DM que sabe usar a música em seus jogos pode transformar suas tardes de RPG.

Eu uso muito o meu notebook em meus jogos. Faço uso das várias trilhas sonoras de filmes épicos que tenho. Mais além do som o notebook me dá outra ferramenta: a imagem. Depois da descrição do vento frio que chacoalha as folhas e assobia enquanto passa ladinamente entre as folhas das árvores numa noite escura e cheia de nevou eu mostro uma foto que eu previamente peguei no Google. Assim mantive a tradição da descrição e completei a experiência da imaginação do cenário com a imagem. Na minha experiência, a imagem só tem seu efeito máximo quando apresentada depois da descrição. A descrição aguça a imaginação, só que depois de aguçada aquele seu comentário solto como um murmúrio (como se não quisesse nada): “eu tenho a fotinha bem aqui” – cria uma expectativa e uma curiosidade nos jogadores que quando revelada pelo DM, só ele pode explicar o deleite que se tem. Uma tática simples, porém muito eficaz.

Em minha opinião, a tecnologia existente hoje ainda não substitui toda a experiência de jogo que temos quando nos reunimos com os amigos e jogamos RPG. Ela hoje pode ajudar e agregar muito quando bem empregada. Meus combates hoje são no mínimo 60% mais rápidos por causa da minha planilha de mestre em Excel (cálculo de iniciativa, histórico dos turnos…). E lá eu tenho as principais informações dos personagens dos meus jogadores (atributos, defesas, pvs, itens mágicos, status etc). Resumindo, Se você conseguir impedir que aquele seu jogador mala fique acessando o orkut na hora do jogo, a tecnologia revolucionará experiência de jogo de suas mesas.

Bom, acredito que minhas experiências para evoluir e aprimorar o RPG são coisas simples e muitos vão dizer: “ta eu já faço isso, e pra mim nunca muda nada. Meus jogadores não valorizam nada!”. Eu certa vez tive o prazer de narrar uma aventura num grupo em que o mestre deu o comentário acima e acreditem, usei música e som e o jogo foi fantástico! A diferença: não podemos banalizar esses recursos. Não deixem o som com músicas aleatórias, separe algumas faixas exclusivas para momentos especiais já previamente preparados. Não deixe seus jogadores se distraírem com o notebook/computador, deixe o monitor desligado/tampa fechada e só utilize nos momentos necessários. Bom senso e conhecimento do que os participantes de seu grupo esperam da partida são os segredos de jogos inesquecíveis.

(x.X)o-(‘_’Q)

6. valberto - 06/04/2009

Acredito que o rpg tem de se reinventar sim, agregando valor ao produto e cirando no jogador comum uma vontade de jogar. Não acho que o tema importe muito, mas o sistema tem de ser ágil, simples de montar e tem de ter pouca coisa para ler, pelo menos no começo.
O grande problema do rpg hoje é que ningém mais tem tempo de passar horas em torno de uma mesa rolando dados.

7. Ágatha Guedes - 06/05/2009

Mas a idéia do debate deles, era que um dos integrantes assumia a posição de que ARG e jogos do tipo, que tiram o RPG de mesa da mesa, erauma saída inteligente para o futuro do RPG. Como se só por você não ter tempo, quer dizer que vai jogar enquanto trabalha ou algo do tipo. Jogar como o Valberto falou, algo rápido e fácil é uma coisa, mudar a forma de jogar é outra completamente diferente, na minha opinião.

8. Marco Willen - 06/20/2009

Um dos textos mais fantásticos que já li sobre o assunto.

O RPG vem sofrendo diversas derracadas dos novos jogadores, que não encontraram algo tão divertido assim, e dos antigos que pareceram ‘enjoar’ do hobbie. Em meio a tudo isso, realmente, um novo cenário, uma nova vestimenta, um novo mundo pode trazer uma vida nova. Eu sou amante das velharias reformuladas, mas ainda sim, me sinto bem palpando algo novo [sem piadinhas].

É triste ver como o RPG vem decaindo…
Já cancelaram até o EIRPG, justo agora que moro perto e poderia ir.

9. Alexandre Fnord - 06/20/2009

Marco, você não precisa ficar sem um grande evento. Vai ter a RPGCon [www.rpgcon.com.br].

10. JaGUaR - 10/18/2009

O problema do velho e bom RPG é que fica dificil cada vez mais de reunir um grupo de amigos por um tempo longo. Eu gosto muito de jogar mas nao tenho um grupo. Sempre 2 ou 3 amigos estao envolvidos com alguma coisa e nunca da para todos se reunir.

Se as empresas consiguissem fazer algo que facilitasse essa reuniao em grupo vão ganhar muito dinheiro e nos vamos nos divertir muito.

Poderiam fazer tipo um blog/video conferencia em tempo real, etc…

11. Camilo - 01/20/2010

Escolher entre temas e modalidades é característica do RPG.

>>> Temas: medieval, horror, ficção científica, humor, etc.

>>> Modalides: live-action, RPG de mesa e, claro, RPG mediado por computador (Taulukko, RPGonline) e quantos vierem com o passar dos tempos.

Não sei bem qual o tema deste post, mas gosto de pensar que o RPG é sobre escolhas, não sobre a falta delas.

12. Tiarles Rodeghiero - 03/12/2010

Pow, o lance dos rockeiros ali, quem foi que escreveu isso? Muito bom!
É assim que a coisa funciona… Conheci RPG há 4 anos, mas tenho amigos que jogam desde os anos 80 e que já jogaram – muito -quase todos os sistemas. Estes estão sempre ligados em coisas novas, mas as vezes ainda vejo eles jogando D&D 3.5(o melhor)… Acho que o RPG não precisa mudar muito. Na minha opinião, a maioria das novidades de RPG de hoje vem vindo como uma necessidade de mercado. São empresas querendo vender RPG para quem conheceu RPG através do WOW e afins. Hoje temos até o DDO, free!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Para mim RPG é como um filme, o cenário pode ser o mesmo, mas se a história for diferente, vamos nessa!
Quem nunca jogou RPG de mesa é muito triste e não sabe disso.


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